sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A FESTA

Congele a imagem. Acenda as luzes. Retire todo o gelo seco. Desligue o som. Tire as bebidas dos copos. Agora sim, solte a imagem. Bizarro, não é? Todos se mexendo para um lado e para o outro, sem sentido nenhum. Alguns com um sorriso no rosto, outros com cara amarrada, outros nem aí, há os que estão perdidos no espaço e no tempo. Aquele lá do canto está bêbado, prestes a vomitar. Os apaixonados (ou não) se beijam, o DJ de fone, dança sempre sozinho, coitado. Congela a imagem. Apaga a luz. Enche os copos. Recoloca o som. É festa! Estando todos se divertindo ou não, presencia-se uma versão moderna de um dos eventos mais antigos da humanidade. É Festa!

No salão, na pista, na areia, no asfalto, no barro, seja lá onde for, a hora da festa é onde nós cantamos músicas que detestamos, bebemos mais sem saber, e sem querer alguns descobrem que sabem dançar. Lá pelas tantas, sempre tem um indivíduo que te abraça e quer cantar (gritar) as músicas contigo, mas vocês não se conhecem nem sequer tinham se visto. É o personagem mais clássico das festas: o bêbado divertido (para o bêbado é muito divertido). No meio da muvuca, um se destaca pelo estilo singular de dança. O que coloca as pernas pro ar, espantando as pessoas, e a ser registrado como “boneco de posto”. Ao menos, diverte os observadores “externos”, mas coloca sua reputação em risco no dia seguinte. A não ser que a dança esdrúxula seja uma aposta perdida.

Ah, as bebidas! Elas são responsáveis por fazer os tímidos dançarem e os espalhafatosos...bem, deixa quieto. A não ser que seja água ou suco de laranja, bebidas como cerveja, champanhe, caipirinha, drinques e outros, alimentam a alma da festa. É um fator quase que diretamente responsável pela animação do evento. Às vezes, a música nem é ouvida, ou simplesmente tornam-se ruído perto dos efeitos dos estimulantes líquidos.

Mas não somente de salões e casas noturnas definem por completo a palavra. Festejamos com bailes, com carreatas, com fogos de artifício, com banquetes, com as peculiares festas infantis, dos tios bêbados e das crianças que não gostaram de receber MEIAS daquela tia que só aparece duas vezes por ano e ainda aperta a bochecha da pobre criança que ganhou um infeliz par de MEIAS em vez de brinquedos. Festa é de casamento, é de campeão, é de aniversário, é de bodas. Festa tem salgadinho, docinhos, refrigerante (já dizia a Xuxa). Festa serve para rever aquela prima que veio do nordeste e aquele cunhado da mãe da sua ex. Festa é descobrir que seu sobrinho não está mais na quarta série e sim no quarto semestre da faculdade de Letras da Universidade Federal.

É ritmo! Ritmo de festa!

Nenhum comentário:

Postar um comentário