domingo, 1 de agosto de 2010

OS SEIS SENTIDOS

Eu suava e minha respiração era dificultada devido à raiva que estava sentindo. Sentia-me cansado e decepcionado por não ter atingido um objetivo, ou por ter falhando na hora que eu não podia. Tinham-me feito de tolo e desejava os males àquelas pessoas que me fizeram chorar de angústia. Senti então, uma mão acolhedora em meu peito, que segurava meu coração que batia forte e me fazia voltar a mim aos poucos. Senti um calor vindo da palma daquela mão, e me acalmava aos poucos, já que sabia que a dona daquele calor me amava e queria meu bem. Virei-me para trás e vi seu sorriso acolhedor e com sua voz suave me disse: “te amo”. A alegria tomou conta de mim e a serenidade daquele momento me fez repensar nas atitudes que fizera e não poderia mais repetir. Tornei-me humano.

São fantásticos os sentimentos. Sinta-se à vontade a sentir absolutamente nada daqui a algum tempo, mas também te deixo livre a quem sabe jogar a culpa do teu sorriso ou da tua raiva no autor, ou seja, eu. Você, amigo (ou não) leitor, um dia foi trabalhar, pegou o teu carro e tinha uma maldita pedra no teu sapato, que já é apertado, e não conseguia apertar fundo o maldito pedal da embreagem, pois seu dedinho doía horrores com o pequeno pedaço de rocha vulcânica no teu sapato. Duas horas depois, olhava no relógio no canto direito do teu computador e, quanto mais o tempo passava, mais a fome apertava. Por indelicadeza da teoria da relatividade, a bendita da hora do almoço demorava mais para chegar.

Na sala de reunião, tu sentia tuas pernas bambas a medida que teu chefe ia soletrando a palavra “demitido”, mas depois um alívio fenomenal te encobre ao ouvir “promovido”: até rima. Na hora de chegar em casa, descobre que o STJD transferiu o jogo do teu time para semana que vem, e que agora terás que assistir a danada da novela das oito com a tua mulher. De contrapartida, teu filho tirou dez em geografia e tu não terás que estudar com ele em pleno fechamento do mês no final de dezembro! Tua sogra viajou para os Estados Unidos (bem longe) e teu velho tio descobriu que tu tens um carro novo. Acontece é que tu descobriste que tens um tio novo... estranho. Deitado na cama, ao som do gato da vizinha, uma reflexão: “hoje, eu senti dor, tensão, alívio, felicidade, desgosto, prazer”. Sentimentos são fantásticos.

É o que nos faz ser simplesmente, seres humanos. Se muitos outros não podem fazer coisas que nos parece simples, nós fazemos por ela. É o simples fato de viver em comunidade, que nos dá a condição de ser solidário com aos que nos dão como resposta um sorriso de agradecimento, que acaba nos fazendo chorar. Ao mesmo tempo, sentimos raiva ou fúria, para com aqueles que agem como antítese das nossas idéias e ações. Sentimos medo de muitas coisas, por mais que não queremos admitir nenhuma das tantas fobias de nome complicado que podemos sentir. A vida, a redenção, o erro, e a morte são fatos que inevitavelmente nos fazem “transpirar” sentimentos, e nos ajudam a ser seres humanos.

Quando nós choramos ao nascer, mal sabíamos do bocado de sentimentos que iríamos enfrentar durante toda nossa vida. Pergunto-me se sabíamos o que estávamos sentindo, mas confesso que não quero a resposta. Quero mesmo é saber, como foi que a maldita pedrinha foi parar no meu sapato e também saber por que motivos a vizinha não põe o bendito felino de miado onipresente, dentro de casa.

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