domingo, 5 de setembro de 2010

BOBAGEM ELEITORAL

De dois em dois anos o brasileiro se diverte. Arma-se o circo. Depois de quase três décadas de ditadura, o Brasil vê-se hoje, ainda em euforia por ter se libertado dos poderosos generais e ainda leva na brincadeira a democracia que lhe foi exposta triunfalmente em 1985. Parece que a festa da democracia não acabou, e vem tendo proporções ainda maiores a cada eleição que passa. É correto dizer que votar no território nacional é seguro e rápido, fazendo com que o povo não perca tempo em filas e enfrentando burocracias completamente desnecessárias. É louvável o reconhecimento que o Brasil tem, por ter a eleição mais moderna e de apuração mais eficaz do mundo. Porém, de nada adianta, se o povo, por um paradoxo intrigante, não tem escolha, na hora de ir às urnas ou não. É votar ou votar.

Não venho me referir aos políticos corruptos, já que estaria sugerindo um debate cansativo e inútil. O que proponho é a reflexão sobre as piadas que nós já estamos acostumados a assistir na televisão e também sobre a obrigatoriedade do voto. Parte dos brasileiros fica na espera dos programas dos vereadores e deputados para rir. Os candidatos escolhem nomes bizarros e fazem trocadilhos estranhos com os números, além de poesias fracas. Vale tudo para chamar a atenção do público, que, desavisado, acaba votando em “boas praças” já que seu jingle era legal e o número, além do nome engraçado, era fácil de decorar.

Não nos surpreendemos mais com as figuras macabras que aparecem por poucos segundos (mas de muito bom proveito) na televisão, mas já esperamos a cada pleito para saber quem será o palhaço da vez. É claro, que o palhaço sempre é o povo. Mesmo sem as surpresas com as novas palhaçadas no horário eleitoral gratuito, rimos com gosto de candidatos como: Lobisomem, Vampeta, Biro-Biro, João-sem-perna (aquele que não passa a perna no eleitor), Tiririca, Papai Noel, Silvio Santos, sem falar dos candidatos teatrais que varrem a corrupção, limpam o senado e salvam a política.

E é com as falhas da democracia, que o Governo Federal desconfigura a arma de reação popular que o voto representa. É tanta liberdade concedida ao cidadão, tanto eleitor, como candidato, que o pleito tornou-se a baderna que conhecemos hoje. Superficialmente, a permissão de analfabetos e adolescentes (muitas vezes sem juízo) de irem às urnas, é o que completa a brincadeira toda. A obrigatoriedade do voto é a cereja do bolo. Votei com 16 anos, sim, mas tive o trabalho de fazer meu título, com a vontade de votar e sabendo que se não fizesse certo, estaria entregando meu país ao purgatório, bem próximo do inferno.

Mesmo assim, vamos às urnas mais uma vez, e continuaremos indo por um bom tempo. Aturaremos nossos atores não globais nos programas, e teremos a tristeza de ter os jornais noturnos interrompidos e perderemos o tempo da preciosa novela das oito (que pena...). Seguiremos ouvindo promessas avassaladoras que mudarão de forma radical o nível de desenvolvimento do país, mas não se sabe se é para melhor ou para pior. Continuaremos a perder alguns preciosos minutos do nosso domingo nos dias de pleito. Enfim, continuaremos a agüentar jingles nada criativos e sujeira de candidato por todos os lados. E você, vai votar? Vai sim, é obrigatório!

Um comentário:

  1. e continuaremos indo por um bom tempo [2]
    Se não pra sempre, o povo se acomoda, nunca farão nada pra tentar mudar isso, é triste.

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