Após a volta de apresentação, o carro está na pole. Trinta segundos e as luzes apagadas. O coração bate mais forte, o suor mal espera por descer na pele e o instinto é total. Nada é racional agora. As luzes vermelhas se acendem aos poucos, os motores roncam. Enfim, as luzes se apagam e trancamos a respiração. O instinto age. O pé no acelerador, mas com cuidado, todos querem a primeira posição, a curva é logo ali. Mais atrás, a briga é com a faca nos dentes, a cada metro, um pneu de vantagem é lucro. O óleo e a sujeira ficam para os de trás. Começou mais um Grande Prêmio. Começou a Fórmula Um!
E quando os carros se encontram na pista, os mecânicos enloquecem no pitlane. Se a batida é forte, o safty car entra na pista. Todos alinhados. O “balé” da Fórmula Um aquece os pneus enquanto o asfalto é limpo. Os comissários correm contra o tempo, e na relargada, o líder comanda as ações. Da primeira para a sétima marcha em poucos segundos. Durante a reta, quem está atrás fica com o arrasto aerodinâmico, na chuva, enxerga-se apenas nada. O vôo do carro na zebra é fundamental para uma volta rápida. Enquanto o piloto fecha a volta, vê a última curva e a adrenalina cresce. O pé fundo no acelerador, é a raiva posta para fora e a mão direita aumentando a marcha, deixa o carro livre para alcançar mais de 300km/h. A freada brusca no fim da reta traz toda a força da gravidade contra o pescoço resistente, mas os homens de ferro estão preparados pela verdadeira pancada da redução.
Para os boxes, vai o aviso: “estou sem aderência, é hora de trocar os pneus”. A equipe é como uma máquina. Todos estão postos para que se troquem os pneus em 5 segundos! Carro no chão. De volta para a pista. É o pior momento para qualquer piloto. Sentem-se obrigados a baixar a adrenalina e deixar a razão voltar. O limitador não deixa com que uma punição venha. 100 km/h e nada mais. No retorno, o desafio de aquecer os pneus. Todo o trabalho é refeito. E no calor da disputa, fica difícil segurar a posição. Se ultrapassado, o piloto bom dá um “X” no adversário e recupera a posição.
Em Spa, após a forte freada da reta dos boxes, enche-se o motor de potência, na Eau Rouge, a curva onde dá-se impressão de sair da pista. Em Monte Carlo, é quase inevitável uma batida na Sainte Devote. Depois de duas curvas em primeira marcha, o Túnel é o ponto máximo de aceleração no Principado. Na escuridão do Túnel, acidentes incríveis já aconteceram. A Curva Oito, na Turquia, é desafiadora. São 3 partes de puro desafio. Os médios não vencem a curva. A área de escape é opção. A parabólica é a curva que trás para a vitória em Monza. Uma curva cega, onde quem tiver um bom acerto e colado no carro da frente, sai em vantagem e consegue a ultrapassagem. Em Singapura, a noite é uma criança. A inovação trouxe as máquinas para o oriente, deixando perto do Japão. Na tradicionalíssima corrida de Suzuka, muitos campeões nasceram ali. Por fim, no Brasil, o conjunto de 3 curvas homenageiam o maior de todos. Ayrton Senna da Silva.
Quando o líder abre a última volta, a equipe vai ao muro. O muro que separa os boxes e a pista se enche de gente que reconhece o próprio trabalho, sabendo que o piloto vencedor não conseguiria sozinho. No carro, a última gota de suor e ao mesmo momento, a razão sai. E a torcida se levanta a medida que ouve mais alto o ronco do motor que trará a glória ao líder. Após a freada, todo o cuidado é pouco para não perder o controle do carro e retomar a aceleração na saída da última curva. A bandeira quadriculada é agitada pelo diretor de prova, e lento na reta, o vencedor se aproxima de sua equipe e vibra dentro do espaço minúsculo do carro. Cruza-se a linha, tira-se a mão do volante e vibra. Abaixa o giro do motor e comemora. A glória do pódio é o auge. O hino, a champanhe, a festa, a Fórmula Um.
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