segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ENTRE CORDAS

Conectei o cabo da minha guitarra no amplificador e o liguei. Ouvi o barulho do cabo metálico conectando-se no instrumento e o eco que ele produziu. Soltei a sexta corda, e num baque inicial, deixei o Mi soar livre. A distorção do som martelava nas paredes revestidas de espuma, enquanto eu pegava meu afinador e apertava no pedal. Som limpo. Detectei a nota padrão e afinei milimetricamente minha guitarra. Apertei no pedal. Som sujo. Enquanto tocava os primeiros acordes, ia sentindo o timbre, o volume, o som acelerando o coração. E com as mãos aquecidas, fui descendo na escala, atingi a nota mais aguda, o ápice. E enquanto as notas soavam livres pelo ambiente, eu sentia a vontade de puxar a alavanca, e no momento certo, o harmônico será necessário.

Play. E a introdução da música começou a rolar, até que o guitarrista tocasse as primeiras notas da canção, e enfim, eu seguia seus passos, sem hesitar em errar. Não tão bom quanto o original, mas a sensação de fazer parte da banda de sucesso era extraordinária. E na complexidade do solo, que me perdi entre as casas e as cordas. A base soava com amortecedor das nervosas palhetadas do solista. E o refrão marcante grudava na cabeça, seguido de uma linha de baixo espetacular. A cada nota executada, o peso da guitarra fazia com que eu entrasse de corpo e alma nas entrelinhas da canção. A minha melodia parecia estar em uma fina sincronia com a música executada pelo artista.

Quando a música fica calma, o guitarrista entra em uma espécie de transe, onde ele também avalia o que fora feto. Quando não sei tocar como o artista faz, eu invento, tiro o máximo possível das minhas cordas, tanto as de aço da guitarra, quanto as de tecido humano das que vibram na garganta. O guitarrista sente de tal maneira a música, que executa ela até com a voz, mesmo não sabendo explanar a poesia. A vibração dos auto-falantes do amplificador, traz uma vontade interminável de continuar tocando guitarra. Enquanto continuo deslizando meus dedos pelo braço da guitarra, tenho cada vez mais vontade de sentir o peso da distorção no meu coração. A cada segundo, o volume tende-se a aumentar.

O orgulho do guitarrista está em ver a marca de seus dedos no instrumento, o calo na ponta dos mesmos e o desgaste da palheta deformada. É quando há de se trocar as cordas. Sabe-se que aquele solo foi bom, quando no final da canção, sente-se a alegria e satisfação, mesmo com a música ter terminado. Ninguém precisa dizer isso, é pura paixão do instrumentista pela música. Paixão esta, que faz refazer o acorde quando erra, que faz lutar bravamente contra a corda desafinada, e que não ouve a reclamação do vizinho. Tocar guitarra é uma arte, e mais do que isso, é apaixonar-se por um instrumento, que traz consigo emoções diversas em um único momento, onde a nota tem liberdade para voar livre pelo espaço. A cada nota que voa, o guitarrista encontra-se no meio de um ambiente maravilhoso e está sendo convidado para ter a experiência de voar eternamente.

Um comentário:

  1. OHHHHHHHH GUI toco uma música velha pra mim?????
    heheheh lindo teu texto pra variar!!!
    =***

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