Qual é o instinto humano? Observe um pássaro adulto alimentando um filhote. Observe um alce fugindo de uma onça. Qual é o objetivo dos dois? Sobrevivência, talvez. Pois se voltarmos na linha da nossa história, na época que surgira o laço familiar, ainda caçávamos, ou talvez principiantes da coleta, mas o fato é que havia poucos de nós. Poucos e com o mesmo objetivo: perpetuar-se. Ao longo do tempo fomos nos contradizendo a partir da ganância. A Primeira Guerra Mundial foi a explosão, o ápice da vontade de dominar. Mas o motivo disso? Porque não deixar o povo vizinho ter seus costumes e seu modo de vida? Diálogo? É uma solução duvidosa.
A história não nos mente. Vimos exércitos grandes sendo aniquilados por forças menores. Vimos o poder ruir com a força da paisagem natural e da própria brutalidade da natureza.Vimos uma Segunda Guerra Mundial por motivos bizarros, talvez a mais idiota das guerras. Mesmo assim, suas conseqüências nos fez rasgar uma página da nossa história. Nós não queremos mais sobreviver, acredito. Nós queremos discutir, ver quem tem o maior brinquedo de destruição em massa. É burrice, convenhamos: convocar milhares ou milhões de pessoas, treiná-las, armá-las, e depois vomitá-las em um campo de combate. Se não é burrice, é um jogo, se estamos jogando com a nossa sobrevivência, e as peças somo nós mesmos, é burrice. É burrice.
Existem heróis. Alexandre, o grande é um herói macedônico, que prosperou o império daquela região, adquiriu respeito ao seu povo. Uma figura histórica que está em todos os livros, temos a sua imagem. Mas ele fez guerra. Napoleão Bonaparte. Foi recebido em Paris com louvor, mandou construir o Arco do Triunfo e levou a França ao esplendor. Foi comemorado, mas fez guerra. Comemoramos derrotas. Australianos e neozelandeses foram enviados à Turquia para lutarem na Segunda Guerra, lutaram, tentaram e morreram. Hoje são lembrados em um feriado nos dois países, como aqueles que lutaram bravamente pelo seu país e que merecem o respeito de todos. Sim, merecem, mas também fizeram guerra. No sul do Brasil em meados do século XIX, elitistas contrários ao governo central, rebelaram-se a favor de suas idéias, mas perderam. Foram derrotados, e por mais que tenha sido com bravura e que tenham criado uma identidade, perderam. Comemora-se também, tem-se um feriado regional, mas ainda toco na mesma tecla: fizeram guerra.
Parece que a nossa história e feita de apenas uma nota musical, de um acorde triste que soa como despedida, mas há de se lembrar que existiram pessoas que não queriam a guerra. Ghandi tentou a liberdade sem armas, foi reprimido. Mandela queria o fim do preconceito, não chamou nenhum exército, mas foi preso. Sorte que estes nomes também entraram para sempre na nossa história e que seus feitos são passados de geração em geração. Sorte nossa também, que ainda há chances de ter pessoas no mundo, sem a maluca idéia de persistir nos erros dos presentes e dos antepassados.
Fizemos estratégias, infantaria, artilharia, cavalaria. Temos tanques, mísseis e uma vasta tecnologia. No passado, as falanges romanas. Os vietnamitas e os russos contaram com a natureza, os japoneses tiveram os camicases, os ingleses criaram a marinha mais forte da era moderna, os brasileiros tem seus praças, os colombianos são guerrilheiros. Na África, os conflitos tribais devastam o continente. Na Europa, somam-se os mortos de diversos séculos de conflitos. Qual a solução para tudo isto? Diálogo. Não, não falamos a mesma língua.
Observe um pássaro adulto alimentando os filhotes. Quando a comida acaba, a gritaria é enorme. Piados famintos chamam por comida. Observe um alce fugindo de uma onça. A onça captura sua presa pois é mais rápida. Ela devora a carcaça antes que cheguem outros animais e acabem com o banquete dela. Onde está a sobrevivência humana?
Muito bom Camarda o/
ResponderExcluir"Se não é burrice, é um jogo, se estamos jogando com a nossa sobrevivência, e as peças somo nós mesmos, é burrice. É burrice."