UM ELO DE LIGAÇÃO ENTRE ALGUNS PEQUENOS DETALHES
Elas são expressões que estão sempre passando despercebidas dos ouvidos e dos olhares de nós, brasileiros, que algumas já fazem parte do português correto, e nem reclamamos mais. Eu ainda reclamo, mas em vão. Porém, o uso exagerado destas expressões torna-se incomoda para um observador que realmente presta a devida atenção ao que os outros falam e escrevem. São figuras de linguagem que às vezes doem os olhos, ou faz tremular os ouvidos de tão exageradas que possam ser. Posso dizer que os Pleonasmos são exageros do óbvio, mas que sem bem feitos, ficam no máximo discretos nas orações largadas por aí, Brasil a fora.
O vereador da cidade compareceu pessoalmente na inauguração inicial do novo hospital de Porto Alegre. Admirável a atitude do cidadão, mas se ele exerce o cargo de vereador, tem-se por definição que ele atua em uma cidade, a de Porto Alegre, no caso. Ora, se ele é vereador, é melhor comparecer pessoalmente mesmo, para melhorar sua imagem perante as próximas eleições, já que se ele comparece com um sujeito terceirizado, sua candidatura cai para baixo, não é? Supõe-se que esta honorária pessoa gostaria de ser prefeito municipal. Ainda bem.
Algumas redundâncias são bem expostas. Tentou-se subir pra baixo ou descer pra cima, mas pelo visto, o que nos ensinaram em física na escola era verdadeiro. Mesmo assim, o anseio das pessoas humanas de desafiar as leis da ciência é enorme de grande: Inventaram a escada rolante. Sim, a única forma de um cidadão conseguir extrapolar na prática, os limites da língua (cidadão sem algo mais útil a fazer, convenhamos). Ora, se este artefato moderno, move-se para cima, por exemplo, mover-me-ei para baixo. Em uma convenção mais simples, descerei uma escada rolante que sobe. É inútil, assim como o vício pleonástico.
Onde está o elo de ligação entre o segundo e o terceiro parágrafo? Oh! Diga-me que não enlouqueci! Não, tenho certeza absoluta que os leitores desta discrepância literária irão entender o escritor. Entenda agora, que sublinhar o óbvio é no mínimo deselegante. Fere a língua. Todos sabem que goteiras são no teto e que toda prefeitura é municipal, porém, ninguém encara de frente o fato de continuar a falar sem pensar duas vezes para evitar tal processo oblíquo e ineficaz da língua.
Nesta vida cheia de contradições, parecia ser fácil de livrar-se da duplicidade. Acontece que se inventou uma língua, que ao mesmo tempo, é complexa e que nos dá oportunidades de criar aberrações magníficas. Por outro lado, posso me convencer que nós sabemos do que estamos tratando. Gostamos de enfatizar o óbvio para demonstrar conhecimento, e gritar alto para todos ouvirem com os ouvidos que sabemos que só podemos entrar para dentro e sair para fora.
Façamos o seguinte: vamos prestar mais atenção no que falamos e escrevemos. Chame a atenção da pessoa ao lado para possíveis deslizes dela ou então de algo que viu na rua. Observe as coisas óbvias que existe por aí e seja mais simples, não caia na tentação da duplicidade. Sim, construir pleonasmos é uma tentação imensa. Repeti-los então é extraordinário. Não! Que a união para o fim do pleonasmo seja uma unanimidade de todos!
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