segunda-feira, 12 de julho de 2010

PARADOXOS E COMPLEXOS

Creio que o ser humano possua uma natureza de “auto-flagelo” sendo ele paradoxal e complicado, complexo. Certas coisas que poderiam ser simples e não são. Certas antíteses que muitas vezes desmentem uma teoria que poderia ser magnífica, ou então o famoso “tiro no pé”. Por sua própria natureza, acontecem fatos que não fazem sentido e que atrapalha o seu (nosso) cotidiano, ou às vezes o próprio desenvolvimento. Observa-se fatos simples e vê-se estes fatores que se pararmos para pensar um pouco, podemos ver que pode ser uma situação totalmente evitável e por conseqüência, benéfica.

Eventos onde há um número significante de pessoas são um bom exemplo. Para ilustrar, imagine-se em uma formatura de uma turma grande. Pais, familiares, amigos, fotógrafos, professores, funcionários e penetras a somar com os formandos. Um auditório respeitável e espaço, bastante espaço. Saídas, muitas portas de saída. Tudo tranqüilo e chato (alguém já foi em uma formatura legal?) até o momento que o mestre de cerimônia deseja boa noite aos presentes. Concordo que todos têm extrema vontade de sair logo e eficientemente de uma formatura, mas é aí que entra o paradoxo e o complexo.

Fico me perguntado qual o motivo de 60% da platéia ficar na frente das/da porta? Todos andando a passos de pingüim (inclusive movimentando-se como tal), uns reclamando, pois a fila não anda e esse mesmo espertinho é que fica na frente da porta, somando-se aos demais. Percebam que a atitude simples de se afastar da saída, torna-se complexa.

A burocracia poderia ser um exemplo perfeito também, mas não é. Está na boca do povo e todos crescem com a idéia de que a burocracia atrasa, que complica, que dificulta e que a melhor coisa que se tem pra fazer é xingar o gerente do banco, só porque devemos assinar inúmeros documentos e garantir a cópia autenticada de determinados outros documentos. Acontece que é uma formalização necessária e que passar de um setor ao outro, muitas vezes é benéfico para o comprador de serviços. Porém há o exagero, e o sistema burocrático também falha.

O mau burocrata é o profissional, ou anti-profissional que é obcecado por padrões, filas, assinaturas, documentos e registros, tudo certinho e sem ele saber, exagerado. É a “arte” de complicar as operações que não necessitam de nenhum passo complexo. Precisa pedir uma assinatura a mais? Qual a necessidade do cliente de ser transferido para mais dois setores?

São inúmeros exemplos coisas desnecessárias que passam despercebidas e na hora da dificuldade que elas proporcionam é que pensamos: “não poderia ser mais fácil?”. Cada dia que passa, confirmo cada vez mais que nós procuramos o mais difícil. É uma atitude inconsciente, porém é estranhamente automática. É instinto, o que nos remota aos tempos das cavernas e nos caracteriza como animais. Ainda bem. O que pesa para o nosso lado é justamente na hora que uma atitude dessas nos atrapalha e logo pensamos em uma saída para desarmar a situação reversa. Fatos que nos fazem ser selvagens e civilizados racionais ao mesmo tempo.

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